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Reflexão e ação Psicopedagógica

 

 Erika Maria Cavagnolli

 

As mudanças e inovações da sociedade atual demandam reorganização de paradigmas para todos os profissionais envolvidos com os processos de aprendizagem, sejam eles pedagogos, psicólogos, psicopedagogos , professores, etc.

A aprendizagem é um processo social, relacional, que se dá pela mediação de conhecimentos e pela constituição de vínculos afetivos entre os envolvidos.

A Escola tem o papel de oportunizar aprendizagens significativas, onde o sujeito possa ter um campo de atuação voltado para a expressão de seus pensamentos, constituindo autonomia, interações sociais, transferências de aprendizagens e transformações conceituais.

Contudo, é sabido que muitas instituições ainda trabalham com métodos arcaicos de aprendizagem, que não levam em conta as singularidades de cada um e apenas ocupam-se da transferência mecânica de conteúdos.

Dentro desta ótica perguntamos, onde ficaria o espaço do sujeito que aprende? Seria a instituição a única responsável pelo fracasso escolar e pela constituição da inibição cognitiva? Podemos afirmar que quanto mais baixa a qualidade de ensino, mais repletas de sujeitos com dificuldades de aprendizagem ficam as Clínicas dos Psicopedagogos, que atuam diretamente com alunos/clientes que se sentem imobilizados diante do ato de aprender.

Mas qual seria a constituição das dificuldades de aprendizagem?Somente oriundas da baixa qualidade do ensino no Brasil? Muitas seriam as causas que levam um sujeito a conflitar-se com a própria autoria. Fatores emocionais, sociais, orgânicos, pedagógicos que se entrelaçam e se mesclam na constituição de um sintoma que comumente é multi-causal.

Cabe também a Psicopedagogia, enquanto ciência que se ocupa da aprendizagem, refletir sobre as causas do não aprender, questionando e levantando hipóteses, não somente acerca do porque o sujeito não aprende , mas ocupando-se principalmente em perceber como ele aprende.

Costumamos dizer que o objetivo do trabalho psicopedagógico é devolver ao sujeito o prazer perdido em aprender e a autonomia do exercício da inteligência, além da conexão com a própria autoria.

A psicopedagogia sempre se preocupou em distinguir fracasso escolar de problema de aprendizagem, em separar causas escolares, das familiares, importando-se em demasia com diagnósticos. Na verdade, o campo teórico e de atuação do psicopedagogo precisa mais do que nunca voltar-se para reflexões pertinentes e consistentes sobre os sujeitos com dificuldade de aprendizagem inserida em contextos mediadores. Essa reflexão deve estender-se para a elaboração de ações eficazes que possam ocupar não somente o espaço clínico, mas principalmente de intervenções nas escolas, nos hospitais e nas famílias. O Psicopedagogo, então, diante de uma visão sistêmica, assume a função primordial de articular a constituição de redes de apoios aos sujeitos em dificuldade de aprendizagem.

           Mas e na intervenção direta com o aprendente? Quais seriam as ações eficazes?

         Sabemos que é comum a criança ou adolescente, em dificuldade escolar, assumir um comportamento inadequado que serve para justificar o seu baixo rendimento escolar, principalmente perante os colegas. Esses alunos manifestam alterações no comportamento para não entrar em contato com a dificuldade, causa de tantas frustrações; a intervenção faz-se necessária, pois ao intervir numa dificuldade instalada haverá intervenção na modalidade de aprendizagem do sujeito, em seu estilo cognitivo, em seu funcionamento.  O sujeito precisa de um espaço na instituição e na clínica para expressar suas habilidades.    

A ação Psicopedagógica otimiza um espaço mediador  de ressignificação de sentidos, onde a necessidade de criar, construir, mudar, argumentar, resgatar a curiosidade e o desejo de aprender, fazem parte de uma constelação de intervenções que  propiciam ao sujeito condições de fazer novas construções e conexões.

O trabalho interventivo com jogos, brinquedos, brincadeiras, histórias, dramatizações, músicas, modelagens, pinturas, desenhos abre espaço para tal elaboração. O sujeito sente-se mais seguro para revelar alguns dos seus pensamentos mais íntimos, o que muitas vezes não consegue expressar em atividades acadêmicas, devido a causas anteriormente citadas.

  Dar voz ao sujeito, tornar o aprendizado significativo, respeitar os aspectos afetivos e intelectuais deve ser preocupação de todos os profissionais que atuam nos espaços de circulação de conhecimento e interlocuções subjetiva.

       

                                                   Referências Bibliográficas

FERNÁNDEZ, Alicia- A inteligência aprisionada:abordagem psicopedagógica clínica da criança e sua família.Porto Alegre, Ed. Artes Médicas,1990;

     ________________ Os idiomas do aprendente: análise das modalidades ensinantes com famílias, escolas e meios de comunicação. Porto Alegre, Ed. Artes Médicas, 2001;

   _______________      O Saber em Jogo: A psicopedagogia propiciando autorias de pensamento: Porto Alegre, Ed. Artes Médicas, 2001.

GRASSI, T. M. Oficinas Psicopedagógicas. Curitiba:Ibpex, 2008.

 

            Autora: Erika Maria Cavagnolli

                           Pedagoga, licenciada em Psicologia da Educação e Didática, Especialista em Educação Popular e Psicopedagogia Clínica e Institucional, Diretora de Relações Públicas da ABPp seção Brasília , professora da SEDF e  cursos de Pós- Graduação em Psicopedagogia.

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